Caiu um prego no chão de taco, e está escuro. Está escuro e nós não temos luzes para enxergar inexistência.
Refiz a queda mil vezes, e outras mil me fiz o prego para tentar descobrir onde se esconde, safo como uma criança levada, mas por ser levada, não tem culpa nunca. Fiz novos caminhos para chegar nos lugares de sempre, aprendi a olhar de outro ângulo os mesmos rostos, aprendi a mudar o rumo, a mudar de lado na paisagem, a mudar de altura nos mapas, de ponto de vista nas escadarias, conheci novas pessoas (nenhuma delas sabia do paradeiro, nem mesmo delas), li livros que não gosto, estudei a metafísica do espaço mas o prego, aquele prego, eu nunca mais encontrei.
Nenhum comentário:
Postar um comentário